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Reflexões sobre direito à comunicação e justiça socioambiental

Saberes, sabores e fazeres dos Territórios Tradicionais Pesqueiros, Extrativistas e Quilombolas

Por Edielso Barbosa dos Santos,
Jeane de Jesus Sacramento
e Suziele Sacramento

No Recôncavo Baiano existem diversas comunidades tradicionais pesqueiras, extrativistas e quilombolas, comunidades essas que são constituídas por uma população majoritariamente negra. Comunidades famosas pelas suas especificidades de sabores, fazeres e saberes do território tradicional.

O conceito de território, segundo o MPP (2012) “é um território coletivo de autonomia, liberdade, relação harmoniosa com os recursos naturais”. Neste sentido, podemos falar que território é mais que terra e água, é vida que pulsa nas veias dos pescadores, quilombolas e indígenas, como espaço de valorização de cultura, sabores e saberes, e de uso pesqueiro.

 

Os sabores produzidos tradicionalmente nessas comunidades tem uma importância fundamental para manter a tradição e os conhecimentos adquiridos com o passar do tempo. Esses sabores são de grande relevância não só para a comunidade em que é produzida, bem como para a culinária e gastronomia brasileira. É importante salientar, que os alimentos utilizados nessas culinárias são capturados e produzidos pelos próprios moradores dessas comunidades tradicionais, por exemplo, a captura dos peixes, mariscos e crustáceos, assim como o aipim, quiabos, farinhas, beiju e diversos outros alimentos. Vale ressaltar que um dos pratos típicos de comunidades pesqueiras são as diversas formas de moquecas, que encanta a todos com seus sabores e toque apimentados. Lembrando que o modo de preparo dos pratos é específico de cada comunidade. 

 

Nesse sentido, é importante citar sobre a tradição das farinhadas que é um espaço onde se reúne um grande número de pessoas, que promove o fortalecimento das relações e o principio da solidariedade, visto que o resultado dos trabalhos é dividido, ninguém volta para casa sem um pouco de farinha, beiju ou um punhado de tapioca. 

Elionice Sacramento e Marizelha Lopes, militantes do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP, pescadoras e lideranças de comunidades tradicionais sempre dizem: “O que seria da cultura da Bahia com seus acarajés e moquecas, se não fosse à produção da pesca artesanal”. Diante disso, o saber de produzir pescados de qualidade influencia no sabor da culinária não só numa determinada região mais em todo o estado Baiano, conforme aponta as lideranças acima citadas.

As comunidades tradicionais possuem uma grande riqueza de saberes passados de geração a geração, saberes esses que vem desde a confecção dos apetrechos, capturas das espécies, beneficiamento, até o escoamento da produção. Desse modo, vale ressaltar que historicamente a população pesqueira e quilombola fazem parte da natureza, tendo em vista que o repasse e orientação desses saberes são importantes para garantir a defesa dos territórios tradicionais pesqueiros e quilombolas, espaços sagrados esses, que garantem a proteção e manutenção das nossas vidas. 

Entrelaçando essas palavras, podemos citar que os sabores e saberes constituem os fazeres, visto que não é possível fazer sem saber como. E o conjunto dos sabores e saberes se materializam no território, razão pela qual nós da juventude pesqueira compreendemos a importância de lutar e resistir para que nossos territórios sejam livres e protegidos para nós, nossos filhos e gerações futuras.

 

A população pesqueira e quilombola seguem a determinação dos ciclos da lua e o movimento dos ventos para desenvolver suas atividades, ciclos esses que determinam as marés e os horários de ida e volta  da atividade da pesqueira, conforme tipo de artificio de pesca e espécie que se pretende capturar.

 Na agricultura temos semelhanças, à lua tem significativa importância, ela orienta o momento para realizar a atividade, de quando, como e qual espécie se deve plantar. Ela influencia o momento certo de preparar a terra para semear a semente, temos que entender que cada fase pode ser propício ou não para realização do plantio de uma determinada espécie, outro elemento importante de ser analisado, por exemplo, é a relação com a mata, além de pedirmos licença as entidades, para adentra-la tirar cipó para fazer cofus, balaios e panacuns instrumentos esses que usamos em nossos Territórios Pesqueiros e quilombolas, na mesma medida tem  que entender  sobre as  os ciclos da lua, para ir pra mata tira a biriba madeira usada para  coloca cabo na enxada e na foice.

A população pesqueira e quilombola seguem a determinação dos ciclos da lua e o movimento dos ventos para desenvolver suas atividades, ciclos esses que determinam as marés e os horários de ida e volta  da atividade da pesqueira, conforme tipo de artificio de pesca e espécie que se pretende capturar.

Na agricultura temos semelhanças, à lua tem significativa importância, ela orienta o momento para realizar a atividade, de quando, como e qual espécie se deve plantar. Ela influencia o momento certo de preparar a terra para semear a semente, temos que entender que cada fase pode ser propício ou não para realização do plantio de uma determinada espécie, outro elemento importante de ser analisado, por exemplo, é a relação com a mata, além de pedirmos licença as entidades, para adentra-la tirar cipó para fazer cofus, balaios e panacuns instrumentos esses que usamos em nossos Territórios Pesqueiros e quilombolas, na mesma medida tem  que entender  sobre as  os ciclos da lua, para ir pra mata tira a biriba madeira usada para  coloca cabo na enxada e na foice.

 

Só é possível sobreviver nos territórios tradicionais pesqueiros e quilombolas, espaços de significativa importância para nós e nossa gente, as pessoas que estiverem adquiridos esses conhecimentos, mas eles não são repassados de forma cartesiana como os das escolas formais, o – aprendemos na escola da vida, por ser inerente a nossa própria existência como mulheres e homens das águas e também da terra.

A importância de ter um território é manifesta em vários elementos, Marizelha Lopes, pescadora, liderança e militante do MPP sempre nos lembra uma das falas de Eliete Calheiros, pescadora/extrativista e  Quilombola do Território do Guai – Giral Grande- Maragojipe: “Aqui Eu sou Eliete Calheiros, Filha de dona Chica, que mora em Giral grande. Eu tenho nome, sobre nome, historia e identidade, fora do território, seria mais um número”.  Salientamos a importância de fala dessas lideranças para toda a comunidade e territórios tradicionais. 

Considerando que é importante não deixarmos perder esses conjuntos de sabores, fazeres e saberes dos nossos ancestrais, nesse artigo trouxemos um pouco da importância dos mesmos, como um símbolo de luta e resistência para essas comunidades tradicionais. Observa- se que todos esses conhecimentos com um tempo acabam sendo passadas de gerações para gerações. 

Diante disso, conclui-se que os saberes, fazeres e sabores são importantes patrimônios brasileiros ancestrais, a responsabilidade de defendê-los não é somente nossa, mas sim, de uma sociedade como um todo e do estado brasileiro, cumprindo as leis que defendem povos e comunidades tradicionais.

 

Edielso Barbosa dos Santos é Graduando em Licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Jeane de Jesus Sacramento é Graduanda em Licenciatura em Educação do Campo – Ciências Agrárias na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Suziele Sacramento é Graduanda em Licenciatura em Pedagogia na Universidade Federal da Bahia (UFBA). São todas/os integrantes da Escola das Águas.

 

Referência:
Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP. Cartilha para Trabalho de Base da Campanha pelo Território Pesqueiro. Cartilha dos pescadores. 2012, 28 p.