Mar de Luta: movimentos pesqueiros e organizações lançam campanha contra impactos do petróleo

No próximo dia 30 de agosto completa-se um ano que manchas de petróleo começaram a surgir no litoral do Nordeste e Sudeste do Brasil. Para marcar a data e continuar pedindo justiça, está sendo lançada a campanha Mar de Luta – Justiça Social aos Povos das Águas Atingidos pelo Petróleo.

A iniciativa vem de movimentos sociais de pescadores artesanais e de organizações de defesa aos direitos humanos e socioambientais, e tem o apoio do Greenpeace Brasil. O objetivo é continuar trazendo à imprensa e à sociedade as informações sobre os impactos que as comunidades pesqueiras estão sofrendo até hoje e reivindicar respostas e reparações do governo.

No dia 30 de agosto, os movimentos farão uma live nas redes do  e no dia 31, será realizada uma série de mobilizações online no Twitter, Instagram e Facebook do Mar de Luta.

Entre as demandas da campanha estão a responsabilização do Estado pela falta de respostas e pesquisas sobre o impacto na saúde da população sobre efeitos socioeconômicos e ambientais. A campanha também pede um processo rigoroso de avaliação e monitoramento das praias, mangues e oceanos atingidos e se opõe à abertura de novos poços de petróleo nos mares e oceanos.

Fazem parte da Campanha Mar de Luta: Conselho Pastoral dos Pescadores, o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), Articulação Nacional das Pescadoras (ANP), Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativistas e dos Povos Extrativistas Costeiros Marinhos (Confrem), Rede Manguemar e Núcleo de Estudos Humanidades, Mares e Rios da Universidade Federal de Pernambuco, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e Mídia Ninja.

Ondas da Resistência e Vozes Silenciadas

Em apoio à iniciativa, um episódio do podcast Ondas da Resistência abordará os impactos do derramamento um ano depois e também falará sobre os objetivos da Campanha Mar de Luta.

E como parte da programação da live de lançamento da Campanha, será apresentada a pesquisa “Vozes Silenciadas: a cobertura do vazamento de petróleo no litoral”, que analisou a abordagem dos principais veículos de comunicação no Brasil sobre o maior desastre por derramamento de petróleo cru do Oceano Atlântico Sul. Dados levantados pelo coletivo mostram que, além do atraso de quase um mês na divulgação dos fatos pela mídia, seja nos veículos de alcance nacional ou nos de alcance regional, em média 60% das vozes ouvidas foram de autoridades públicas e apenas 5% aproximadamente representavam os povos e comunidades tradicionais diretamente afetados.