Vozes
Silenciadas

Conheça a pesquisa que analisou a cobertura da mídia sobre o derramamento de petróleo na costa brasileira

O vazamento de petróleo nos noticiários televisivos das emissoras Globo, SBT e Record

Jornal Nacional

Primeira vez que noticiou 05/10/2019
Conteúdos, entre matérias e reportagens 28

Jornal da Record

Primeira vez que noticiou 01/10/2019
Conteúdos, entre matérias e reportagens 28

SBT Brasil

Primeira vez que noticiou 23/10/2019
Conteúdos, entre matérias e reportagens 09

Jornal Nacional

Fontes, dados estatísticos e legislações

No período analisado, o Jornal Nacional veiculou 28 conteúdos sobre o derramamento de petróleo nas praias do litoral nordestino em 15 edições do telejornal, sendo 10 notas, 10 reportagens e 8 matérias com cunho mais factual;

Em 8 conteúdos aparecem controvérsias explícitas entre fontes e narrativas oficiais: três relacionadas aos ataques do governo federal à ONG Greenpeace; três confrontando a agilidade e a efetividade das medidas adotadas pelo governo federal, a partir de falas de agentes públicos e ambientalistas/especialistas; e duas discutindo se o mar/pescado não oferecia realmente riscos à saúde, a partir de falas oficiais do governo e de especialistas;

Nos 28 conteúdos veiculados, foram ouvidas 99 fontes;

Das fontes consultadas: 60 eram órgãos ou representantes públicos, 12 eram especialistas/pesquisadores, 9 foram apresentadas como voluntários, 8 eram do setor empresarial, 6 eram de organizações da sociedade civil e 4 eram de comunidades tradicionais pesqueiras ou outros PCTs;

Das 60 fontes vinculadas a agentes públicos/representantes do Estado que apareceram no universo da pesquisa, os que tiveram mais aparições foram: Marinha (10 aparições), Ibama (8 aparições), Polícia Federal (7 aparições), Ministério da Saúde (4 aparições) e Ministério do Meio Ambiente (3 aparições);

Em quase metade das edições (7 das 15 que veicularam conteúdo sobre o assunto), houve menção a dados e pesquisas diretamente. Ao todo foram 10 conteúdos (do total de 28, ou seja, quase um terço) com referências científicas;

Foram utilizadas como fontes de pesquisa: órgãos públicos (duas do Ibama, uma do Ministério da Agricultura, uma da Petrobras e duas da Marinha), instituições de ensino superior (duas da Ufba, duas da UFRJ e uma da Universidade Católica de Pernambuco), empresas (uma da Hex Geotecnologia) e um especialista sem citação de vínculo institucional (o oceanógrafo Mauro Maia);

Das 15 edições do telejornal, em 4 houve menção a legislações, sendo duas delas sobre a Lei de Crimes Ambientais, uma acerca do PNC e outra sem definição direta.

Diversidade de Fontes em %

  • 60 Orgaos e representantes publicos

  • 12 Pesquisadores e especialistas

  • 9 Setor empresarial

  • 6 Organizacoes da sociedade civil

  • 4 Comunidades tradicionais pesqueiras ou outros PCTs

  • 9 Morador voluntario ou turista

Jornal da Record

Fontes, dados estatísticos e legislações

Das 37 edições do Jornal da Record que compreendem o período selecionado para a pesquisa, o tema do vazamento de petróleo no litoral brasileiro esteve presente em 18 delas. Foram publicados 20 conteúdos, sendo 9 matérias e 11 reportagens;

Somadas todas as edições em que alguma matéria ou reportagem sobre o tema desta pesquisa foi publicada, temos aproximadamente 1 hora e 8 minutos de cobertura, ou 6,3% do tempo de programação ocupado, considerando que o telejornal tem 1 hora de duração diária;

No conjunto do material, 197 fontes foram utilizadas, sendo: 130 órgãos ou representantes públicos; 16 pesquisadores/as e especialistas; 20 do setor empresarial; 11 de comunidades tradicionais pesqueiras ou outros PCTs ; 11 moradores/as, voluntários ou turistas; e 9 de organizações da sociedade civil;

Nas 18 matérias ou reportagens, 78 fontes foram entrevistadas. Em apenas uma matéria (veiculada no dia 23 de outubro), nenhuma fonte foi utilizada;

Dessas 78 fontes utilizadas: 35 eram órgãos ou representantes públicos; 11 eram pesquisadores/as e especialistas; 10 eram voluntários/as e 4 eram moradores ou turistas; 9 eram de comunidades tradicionais pesqueiras; 6 eram do setor empresarial; 3 eram de organizações da sociedade civil;

Dos 25 órgãos e representantes públicos, os mais citados foram, em ordem decrescente: Marinha (11 vezes); Ibama (5 vezes); Polícia Federal (4 vezes); Ministério do Meio Ambiente, governo da Bahia e governo de Pernambuco (3 vezes cada); Petrobras, Ministério da Agricultura e Inpe (2 vezes cada); outros 16 órgãos/representantes públicos foram citados 1 vez cada;

No tocante a pesquisas e dados estatísticos, considera-se aqui que o Jornal da Record apresentou informações insuficientes, sendo, em sua maioria, levantamentos sobre locais atingidos, animais afetados e voluntários com problemas de saúde pelo contato com o óleo;

Reforçando o pouco aprofundamento da discussão sobre responsabilizações e saídas para o problema concreto, vale citar que, nos 20 conteúdos, entre reportagens e matérias analisadas, nenhuma legislação ambiental, tratado de que o Brasil é signatário ou instrumento legal foi citado pelo JR;

Das seis representações do setor empresarial, a Delta Tankers foi citada duas vezes; a Minerva Marine e a Associação de Hotéis de Porto de Galinhas, uma vez cada. Além delas, houve uma citação a uma “empresa privada contratada pelo governo de Pernambuco” e uma outra citação a um “laboratório de pesquisa contratado pelo governo da Bahia”; porém, nesses dois casos os nomes não foram identificados. As duas organizações da sociedade civil citadas foram o Greenpeace e a Fundação Mamíferos Aquáticos, uma vez cada. No segmento de comunidades tradicionais pesqueiras e outros PCTs, a única citação foi a “pescadores e marisqueiras”. E no segmento de pesquisadores/especialistas, foi citada a Universidade Federal da Bahia;

Ainda sobre o destaque que os órgãos ligados ao governo federal tiveram no Jornal da Record, chamou atenção a amplificação da voz da Marinha. Em duas oportunidades, houve uma visível articulação entre a emissora e o órgão. Na edição de 02/11/2019, por exemplo, mais da metade da reportagem, de cinco minutos e vinte e dois segundos, foi de destaque ao trabalho desempenhado pela Marinha, com o repórter acompanhando sobrevoo de um helicóptero oficial, com exclusividade, na região de Abrolhos, e mostrando o funcionamento de um navio pertencente ao órgão (Fragata Constituição). Reforçando essa articulação, na reportagem a Marinha foi a única fonte ouvida, com dois representantes: o Comandante do 2º Distrito Naval e o Oficial de Manobra da Fragata Constituição;

Nos 20 conteúdos veiculados pelo Jornal da Record, em 11 não houve qualquer referência a dados e pesquisas, e em 9 foram citados 12 dados, levantamentos e/ou pesquisas;

Desses 12 dados/levantamentos/pesquisas, 9 foram de órgãos públicos (3 do Ibama, 2 da Marinha, 2 do governo da Bahia, 1 do Inpe e 1 do governo de Pernambuco) e 3 foram de universidades (Ufba, Ufal e UFS, um cada);

Dos 20 conteúdos veiculados pelo Jornal da Record, nenhum citou qualquer legislação.

Diversidade de Fontes em %

  • 45 Orgaos e representantes publicos

  • 14 Pesquisadores e especialistas

  • 8 Setor empresarial

  • 4 Organizacoes da sociedade civil

  • 12 Comunidades tradicionais pesqueiras ou outros PCTs

  • 18 Morador voluntario ou turista

SBT Brasil

Fontes, dados estatísticos e legislações

Das 8 edições disponíveis nas plataformas do SBT e do telejornal SBT Brasil (no site oficial e no canal oficial do Youtube), durante o período de recorte de pesquisa, o tema do vazamento de petróleo no Nordeste brasileiro foi abordado em 1 reportagem e 8 matérias, sendo que no dia 23/10/2019 o telejornal publicou duas matérias distintas referentes ao derramamento do óleo: uma com o título “Oposição pede CPI na Câmara para investigar vazamento de petróleo” (com 2 minutos e 29 segundos) e outra com o tema “Ativistas do Greenpeace são presos após protesto em Brasília” (44 segundos). Ao todo, foram 19 minutos e 23 segundos de conteúdos sobre o assunto, em oito dias;

Nas 8 edições, não há confronto de opiniões, tampouco um aprofundamento sobre temas controversos, como os riscos dos banhistas, voluntários e consumidores de frutos do mar sobre os possíveis danos à saúde causados pelo óleo derramado, ou as acusações do ministro do Meio Ambiente ao Greenpeace como suspeito pelo derramamento de petróleo, e muito menos sobre as repetidas insinuações de representantes do governo federal acerca de a origem do óleo ser venezuelana;

Nas 9 matérias ou reportagem, 24 fontes foram entrevistadas. Em apenas uma matéria, a segunda veiculada no dia 23/10/2019, o telejornal não utilizou fontes;

Dessas 24 fontes utilizadas, 13 eram órgãos ou representantes públicos, 1 era pesquisador/a, 3 eram de povos e comunidades tradicionais (pescadores e marisqueira), 2 eram presidentes de colônia de pescadores, 2 eram pequenos comerciantes e 1 era banhista. Houve uma entrevista com a ex-ministra do Meio Ambiente no governo de Luís Inácio Lula da Silva, Marina Silva, quando ela estava participando de um evento da revista The Economist, em São Paulo. Vale destacar que no dia 24/10/2019 foi lido trecho de uma nota do Greenpeace em resposta às acusações feitas ao movimento pelo ministro do Meio Ambiente;

Somados os 13 órgãos citados e/ou representados por seus líderes como fontes, pode-se destacar que apenas Marinha, Polícia Federal e Presidência da República foram mencionados duas vezes cada com citação direta. Os demais foram citados diretamente somente uma vez: Defesa Civil de Pernambuco, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Turismo, Ministério da Defesa e Procuradoria da República;

Dos 9 conteúdos veiculados pelo telejornal SBT Brasil, em 8 edições não houve referência a dados e pesquisas, muito menos aprofundamento nas abordagens dos fatos. Apenas no dia 30/10/2019, durante a matéria sobre as investigações do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Ufal, e na entrevista com o seu representante, Humberto Barbosa, houve menção aos números sobre a extensão das manchas que atingiram o litoral e à investigação científica sobre as imagens de satélite. O PNC foi citado por duas ocasiões, apenas. Decretos e leis ambientais não foram mencionados.

Diversidade de Fontes em %

  • 55 Orgaos e representantes publicos

  • 5 Pesquisadores e especialistas

  • 5 Setor empresarial

  • 5 Organizacoes da sociedade civil

  • 20 Comunidades tradicionais pesqueiras ou outros PCTs

  • 3 Morador voluntario ou turista

  • 13 Outros

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O vazamento de petróleo nas páginas de jornais impressos

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O vazamento de petróleo nos noticiários televisivos

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A mídia pública e o vazamento de petróleo: análise da Agência Brasil